Quinta-feira, Setembro 04, 2008
I've been let down
and I'm still coming round
I've been pulled down
and I'm still coming round for you
coming round for you
take away everything that feels fine
catch a shape in the circles of my mind
[make me feel like I belong to you
make me feel it even if it ain't true]
catch a train on a silver afternoon
a thousand miles and I'm gettin' there too soon
take me there, when I should be going home
tell me why I'm still feeling (all) alone
I've been let down
and I'm still coming round
I've been pulled down
and I'm still coming round for you
coming round for you
[Engraçado como algumas coisas podem fazer sentindo por tanto tempo. Acho que ouvi essa música pela primeira vez em 1997, quando estava no segundo ano do segundo grau
(ou ié, sou uma balzaquiana, com muito orgulho – muito embora esse conceito da mulher balzaquiana já não seja mais aplicável às mulheres dessa idade nos tempos de hoje.)
e desde sempre me identifiquei com essa música em muitos aspectos. De tempos em tempos ela volta aos meus pensamentos. De tempos em tempos faço novas versões dela no meu violão. De tempos em tempos me re-apaixono por essa música e pelo que ela significa pra mim e pelo que ela constrói em mim. Sim, há certa melancolia nisso. Mas essa melancolia é tão minha que constrói e afirma o que eu sou e isso me é confortante. Mas há também um outro lado: as tantas vezes que voltei a essa música e que superei esses sentimentos. Hoje pra mim ela pura catarse.
Imagino que essa é uma das minhas grandes dialéticas.]
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Terça-feira, Agosto 26, 2008
sinto algo e não sei dizer
a sua presença ausente
urgentes as necessidades
dialéticas diárias sobre a
ausência do que ainda está aqui
descompassadas as vontades
e os desejos eclipsados
sempre
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Quinta-feira, Agosto 14, 2008
(Um parêntese)
(Amor, o que é o amor?
Você já amou alguém? Você ama alguém?
O que eu mais quero na vida é amar alguém. Mas eu não sei se sei o que é isso. Às vezes acho que sim. Às vezes fico sem saber.
Me diz, o que é o amor?
Eu sei que existe o mundo e que ele pode ser grande e bonito. Mas às vezes o fato de ele ser grande assim me assusta e, por isso, não consigo ver sua beleza e, às vezes, tudo é rápido demais e não consigo acompanhar.
E é assim.
Eu gosto do mundo pequeno. Eu gosto de conhecer o mundo. Eu gosto de saber até onde ele vai. Gosto de conhecer suas extensões. Gosto de conhecê-lo devagar, de olhar os detalhes, de ouvir os pequenos ruídos e músicas.
Talvez eu não saiba se sei amar ou se amo ou se conseguiria amar porque o mundo é grande demais pra eu conhecer
e eu não amo aquilo que não conheço.
Amo aquilo que minhas pedaladas podem alcançar.
O que eu mais quero na vida é amar.
Por isso saí de bicicleta nessa viagem.
Pra ver o grande sob o recorte do meu olhar em pequenas molduras.)
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Terça-feira, Agosto 12, 2008
vai, saudade
vai dizer àquela ingrata
vai, saudade
vai dizer àquela ingrata
vai dizer àquela ingrata
que a saudade
quando é demais, mata
ou iéa
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Sexta-feira, Agosto 01, 2008
O amor verdadeiro
Parte I
Ele sofreu muito com tudo. Com o fim.
Essas coisas de fim sempre doem muito em todas as pessoas, pensava. Mas era como se nele doesse mais. Era pra ele como se repentinamente as coisas todas perdessem o sentido. Como se a terra começasse a girar ao contrário. O tal do fim era, de fato, o fim. Engraçado até que se ria sozinho no meio do choro.
E se sentia patético.
Sempre se sentia patético por sofrer das dores de amor, como se elas fossem tolas. E ao mesmo tempo não via grande problema nisso, pois era um tolo mesmo e fazia questão de manter essa característica. Era tolo. E era exatamente isso que o fazia ver paixão nas coisas e pessoas. Ver amor. Ver doçura. Só sendo tolo. E era tolo de dizer essas coisas. Quase otário.
Nessas noites não dormia quase nada. Nesses dias não comia quase nada. Não conseguia fazer quase nada. Não pensava em quase mais nada. Sua rotina era quase sempre uma repetição sem sentido de rituais quase nulos, mas que de alguma maneira quase chegavam a ser necessários.
Virou religioso. Maníaco. Obsessivo. Hipocondríaco. Bêbado. Tudo meio que sem perceber, mas ainda tendo como chão as pequenas loucuras diárias que davam certo sentido aos dias, sem perceber, mas meio que por escolha.
Sua religiosidade não se manifestava de maneira óbvia. Na verdade, era uma religiosidade muito própria. Ouvia e cantava as mesmas músicas como se orasse. Como se elas fossem trazer de volta o que havia perdido.
Maníaco da mesma forma. Repetia atividades sem sentido. Obsessivo monomaníaco. Sentia-se doente. E o único jeito de conseguir dormir era bebendo.
Em algumas dessas noites amaldiçoadas, deitado na cama, fritando de um lado e fritando do outro, era como se algum espírito estivesse zombando da sua condição repetindo a mesma frase na sua cabeça por horas. Eu filho do carbono e do amoníaco. Eu filho do carbono e do amoníaco. Eu filho do carbono e do amoníaco. Eu filho do carbono e do amoníaco.
E desistia: ok, monstro de escuridão e rutilância, sofro desde a epigênesis da infância a influência má dos signos do zodíaco. Profundissimamente hipocondríaco, este ambiente me causa repugnância, sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia...
Diabos! Sabia de cor sem saber que sabia e se repetia e por isso não dormia. Realmente um soco na nuca resolveria seus problemas. Ou pelo menos um queijo quente, mas nem isso conseguiria numa dessas noites.
Foi numa dessas noites onde se repetia a odiosa psicologia de um vencido que decidiu que precisava fazer algo. Isso mesmo: fazer algo. Fazer algo. Fazer algo. Fazer algo. Fazer algo.
Resolveu então que um dia desses faria um passeio longo de bicicleta pelas redondezas. Não se referia a isso como uma viagem, porque andava sem motivação para pedalar até o posto, comprar cerveja ou cigarro ou coca-cola, imagine se saísse por aí dizendo que faria uma viagem de bicicleta. Nem ele mesmo acreditaria. Mas a verdade é que estava decidido. Iria passeando e parando onde desse na telha. Claro, ninguém achou que de fato iria. E, realmente, ele sempre adiava.
Mas foi em um dia de chuva forte, o barro da rua virando lama da mais densa, que ele decidiu ir. É engraçado. Ele foi.
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Segunda-feira, Julho 21, 2008
eu odeio essa merda desse país.
é um país muito filho da puta mesmo.
trabalho no mínimo 40 horas por semana e ganho uma merda de um salário e sem perspectiva de melhorar.
exatamente o oposto: essa merda desse salário ainda vai ser reduzido porque minha carteira vai ser assinada.
e dizem que isso será bom pro meu futuro... será? ganhar 1300 pilas de aposentadoria?
isso é bom pro meu futuro? porra nenhuma.
eu odeio essa merda desse país.
e a merda pior é que odeio todos os outros países.
eu odeio essa merda toda.
eu odeio essa merda de futuro.
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Segunda-feira, Julho 14, 2008
cut this picture into you and me
burn it backwards kill this history
make it over make it stay away
or hate'll say the ending that love started to stay
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Quinta-feira, Maio 29, 2008
intervalos
ele se pergunta sobre a freqüência das coisas
dos eventos
das falas
dos silêncios
seja como for ou como é
como essas coisas se dão
se de longe
se de perto
se imaginário
correspondido
compartilhado
os tempos têm características próprias, pensa
diferenças e semelhanças
surpresas e rotinas
ações e pausas
as diferenças constantes
estrutura que transborda
uma dialética de caos e de lógica
sempre tanto
longe e perto
as distâncias entre dó e si
e sol e lá
os intervalos todos
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Terça-feira, Maio 06, 2008
é assim a nossa história
sempre por pouco tempo
e o nosso amor é grande
é grande
e mesmo que tenhas ido embora
eu sei que vais voltar
como já o fez.
eu queria poder te impedir de ir
mas és livre
e talvez seja isso que mais amo em ti.
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Terça-feira, Abril 22, 2008
Isso é algo meio nietzscheano, “Aquilo que não me destrói fortalece-me”. Eu meio que concordo com isso também.... mas é “meio que”, apenas. Porque eu nem sempre concordo com isso. É que eu nem sempre concordo com as coisas que eu às vezes concordo. Afinal, sou um tanto relativista e confusa.
E eu concordo que os vovôs e vovós são pessoas sábias, sim. Dos meus avós não posso falar muito, porque não os conheci muito bem, mas o meu pai e a minha mãe, por exemplo, agora que são avós estão ficando cada vez mais sábios e como pais talvez não o fossem tanto ou o necessário ou o suficiente...
O meu grande sonho é ser avó, sabia? Assim um dia serei sábia e serena e direi aos meus netos: o que não mata, engorda. E eles vão achar que me estarei me referindo ao doce que caiu no chão, mas além disso, serei uma vovó nietzscheana.
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Segunda-feira, Abril 21, 2008
o meu sorriso é bem pequenininho
mas vou me esforçar.
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Quinta-feira, Março 27, 2008
Não gosto de você porque você é consumista.
Agora eu sou consumista... tá, consumista??!
É, você é consumista.
Mas consumista... por que consumista?
Porque sim e você me confunde.
Por que eu te confundo?
Porque você é consumista.
Ah! Agora você vai virar uma daquelas revolucionariazinhas de merda contra o consumismo, logo você que quer gastar todo o seu dinheiro em sapatinhos....
Não tem nada a ver com isso. Eu não estou falando desse tipo de consumismo. Eu não me importo com isso. Não me importaria se você quisesse torrar todo o seu dinheiro com qualquer coisa. Não é a isso que eu estou me referindo.
Ah não é? Então é o que?
Os seus olhos brilham pra qualquer garota.
Os meus olhos? Quê?!
É. Os seus olhos brilham pra qualquer garota de um tipo específico e, ao contrário do que parece, esse tipo específico se encontra por aí aos montes.
AH! Ótimo. Que tipo é esse? Por que você está falando isso?
Porque sim. Porque eles brilham. E eu queria que eles brilhassem só pra mim. (Mas quem sou eu pra pedir isso. Eu que tenho olhos que quase não brilham. Que só em sonho brilham.)
E eis que dos céus surge uma bigorna e, com um único golpe, dá fim ao diálogo.
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Terça-feira, Março 25, 2008
[Por isso saí de bicicleta nessa viagem.
Pra ver o grande sob o recorte das pequenas molduras do meu olhar.
O que ficar fora das minhas molduras não poderei ver. Estará fora de foco.
O que estiver dentro, ficará no meu olhar durante o tempo que durar minha passagem
e durante o tempo que a imagem projetada em minha retina estiver armazenada na minha memória.]
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Sexta-feira, Março 14, 2008
Cansei de ser reação
Agora eu sou vontade e ação.
E vocês que se fodam.
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Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008
gosto do seu silêncio
do jeito que você dança comigo-
muitas vezes no escuro,
suas tentativas de me devorar
o amor descontrolado dos seus dentes pela minha pele
seus saltos na água-
dessa sua cor que me faz tremer e que me prende azul.
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